Ficar

amizade

Parte de mim quer, tanto, partir. Parte de mim será sempre nómada.

Umas vezes, penso noutro lugar talvez tudo fosse diferente. sem conhecer ninguém, ou quase. sem ninguém que me conhecesse. noutra paisagem. noutra forma de estar e de viver.

Outras vezes, acontece-me pensar nos gestos que nos aproximam a todos, mesmo que totalmente desconhecidos. Aqueles gestos que não têm nacionalidade, apenas humanidade. Aqueles gestos que, de tão universais e tão simples, são lindos em qualquer cor, em qualquer língua. Aqueles gestos como abrir os olhos de manhã, afastar o cabelo do rosto, despir uma camisola, abotoar uma camisa. Aqueles gestos como atar os sapatos ou descalçar uns ténis sem tocar nos atacadores. Aqueles gestos como abrir as cortinas devagar e sentir a luz ou a noite ou a luz da noite. Aqueles gestos como ajeitar o cachecol antes de enfrentar o vento, como pegar nas chaves de casa, como abrir a porta e olhar para trás antes de a fechar. Aqueles gestos como esconder o rosto entre as mãos ou fitar o infinito. Aqueles gestos como pegar na mão de alguém, como pousar os lábios noutros lábios, como nos abandonarmos naquele colo.

É nesse lugar, no nada no meio de tudo, que encontro algum repouso.

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