Pensar. A dois.

Ontem, levei os meus pensamentos a dar uma volta. Convidei-o a vir comigo, porque ficaria magoado se não o fizesse, mas os meus pensamentos precisavam de ficar só comigo, para terem a certeza de que eu estaria a dar-lhes atenção. Já lá vou ter e eu saí sozinha, Vou pensar, disse. Pensar? Sim, pensar. Phones nos ouvidos e apenas a chave no bolso.

Há algo de mágico no movimento do mundo silenciado pela música a entrar pelo peito dentro, porém,  e embora eu adore observar pessoas, o jardim pareceu-me vazio, focada que estava no que me diziam os meus pensamentos.

Sentei-me no chão. Ouvi. Respirei. Quando ele chegou ao pé de mim, sequei as lágrimas sem as esconder e encostei a cabeça no seu ombro. Depois do silêncio, conversámos. Honestamente, sem filtros. Eu primeiro. Ele a seguir. Sobre a nossa vida, sobre esta angústia que não consigo dexar de sentir e da culpa que vem depois da angústia, sobre viver em vez de querer apenas fazê-lo. Abrimos as palavras que estavam a apodrecer sem que delas usufruíssemos. Sorrimos no fim.

Estamos mais perto de nós e mais perto um do outro.

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