Senhor Gato

Dexter

Não é só um gato, é o senhor Gato. O nosso amigo de quatro patas almofadadas e bigodes compridos.

Quem o vê assim, tão descansado, tão sonolento, não adivinha as tempestades que cria, de vez em quando…

O Dexter não é agressivo, mas tem, mais vezes do que seria desejável, ímpetos de agressividade. Podia ser contra o mobiliário, contra os bichos que nos entram pela varanda, contra as plantas, mas não. É contra nós. E morde. E dói. Com força. Com muita força. Dói como a traição, para nós humanos, que insistimos em humanizar tudo o que mexe.

Já esteve melhor, ultimamente regrediu. A culpa não é dele, aliás, como nada é. Nós é que somos os supostos racionais, nós é que deixámos que a medicação acabasse. Nós é que deixámos de ter tempo ou cabeça para brincar com ele. Nós é que nos deixámos esgotar ao ponto de não ter força para preservar as nossas prioridades.

Foi preciso um braço bem magoado (e o coração duplamente ferido), dois tipos de animal a chorar, cada um no seu canto e umas marradinhas de perdão para que acordássemos da nossa apatia. A medicação está a ser tomada, duas vezes por dia, 10 minutos de brincadeira são garantidos e tenho de vir almoçar a casa de vez em quando.

Não é o Dex quem está doente. É a nossa vida. Ele faz parte da cura.

—-

It’s not just a cat, is Mr. Cat. Our four-legged friend.

Who sees him so reposeful, so sleepy, doesn’t guess the storms he creates, from time to time …

Dexter is not aggressive, but he has, more often than desirable, outbursts of aggression. It could be against the furniture, against the bugs that come in from the balcony, against plants, but no. It is against us. And bites. And it hurts. With strength. With great force. It hurts like a betrayal, for us humans, as we insist on humanizing everything that moves.

Been better, regressed lately. The fault is not his, indeed, as nothing is. We are the supposed rational beings, we are the ones who let the medication ran out. We are the ones who no longer have time or the state of mind to play with him. We are the ones without the strength to preserve our priorities.

It took a very sore arm  (and a doubly wounded heart), two types of animal crying, each in it’s corner, and forgiveness, to woke us up from our apathy. The medication is been taken twice a day, 10 minutes of play are guaranteed and I have to come home for lunch from time to time.

Dex is not the one who is sick. It is our life. He is part of the cure.

 

3 responses to “Senhor Gato

  1. “Dói como a traição, para nós humanos, que insistimos em humanizar tudo o que mexe.” Já tentei explicar isto tantas vezes mas há quem nem sequer oiça, por isso nunca vai poder entender…🙂

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